Coliseu de Redondo

Alunos da Academia de Toureio do Campo Pequeno no Montijo

O público e a tourada à portuguesa

O público e a tourada à portuguesa

No passado dia 30 de Junho deu-se por finalizada a Feira de São João 2019 inserida nas Festas Sanjoaninas. O público é soberano e já não é a primeira vez que com a sua presença diz, a quem o quer ouvir, qual é a sua preferência, três quartos de casa na última corrida da feira, que para mim e para muitos era o cartel mais fraco da feira. O povo é, e sempre será quem mais ordena e é preciso que a organização dos festejos tenha isso em consideração na confecção do figurino para o ano que vem. Dito por minhas palavras, mais corridas mistas e a cavalo, e que as mistas tragam matadores que bandarilhem. Se não tiver razão cá estarei para me penitenciar. Mas vamos ao que interessa pois já vou um bocadinho fora de tempo. O cartaz de domingo trazia estampado os nomes dos cavaleiros Filipe Gonçalves, João Pamplona e João Salgueiro da Costa, dos forcados amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, do Ramo Grande e os Luso-Americanos da Califórnia, capitaneados por João Pedro Ávila, Manuel Pires e Michael Lopes respectivamente. Os toiros estes pertenciam às ganadarias da Casa Agrícola José Albino Fernandes e João Gaspar.

Pamplona em toureiro

O cavaleiro algarvio Filipe Gonçalves foi uma cópia da primeira corrida, mas de inferior qualidade. No seu primeiro toiro andou sério, montou o “Jncquoi” lidando e bregando bem o astado da casa Albino que mostrou codicia, um bom galope e foi fixo, destaque para o segundo comprido de frente abrindo o quarteio, cravou de alto a baixo e rematou como mandam os cânones. Sacou o “Herodes” para em cambio deixar cinco ferros no mesmo estilo, com destaque para o terceiro mais arrimado e por conseguinte mais emotivo. No segundo e à semelhança da primeira corrida saca exactamente os mesmos cavalos para dar o show que vem estudado de casa, só que o quarto toiro da corrida não tinha o mesmo comportamento do seu segundo da primeira corrida. Cada toiro tem a sua lide, se antes deu-nos a ideia de um lidador com experiência, agora mostrou-nos exactamente o contrário, nos compridos andou vulgar e levou um violento toque na montada na cravagem do segundo ferro, usou e abusou dos quiebros quando o toiro dizia que queria outra abordagem, queria que lhe pisassem os terrenos e isso não soube e não pode Filipe Gonçalves. Sortes desajustadas e toques na montada foram uma constante, galopes ao lado do toiro sem ligação e no final o número de sempre, um violino, um de palmo e as “palmas” com o “Xique”, que não apagaram uma má prestação.

João Pamplona presenteou-nos com um toureio sério lidando e bregando com o “Astro” um toiro da Casa Agrícola, que tinha um bom “tranco”, destaca-se a tira muito bem desenhada no seu segundo ferro comprido. Regressa montando o “Violino” para de frente e ao estribo, pisando terrenos de compromisso cravar ferros de mérito com destaque para os terceiro, quarto e quinto ferros curtos. No seu segundo opta novamente pelo “Astro” para receber desta feita o “Valente” de João Gaspar para lhe cravar dois compridos à tira bem rematados, saca depois o “Invictus” para de frente, pisando os terrenos do toiros, sacar ferros de alto abaixo. Destaque para o quarto ferro curto cravado ao estribo, arrimando-se depois da sorte. Vimos um João diferente, alegre como é seu apanágio, mas com um toureio mais sério e com um conhecimento que tem vindo a cimentar ao longo da sua carreira. Continua assim.

Salgueiro da Costa veio à Ilha bem montado e com ganas de se mostrar à aficion terceirense, com o “Chinoca” deixou dois compridos, com destaque para o segundo, de praça a praça, depois de passagem em falso. No segundo tércio e com o “Alba” lidou o “Empreiteiro”, um "albino" que não se ligava muito, cravou ferros de valor mesclados com ladeios, levando toiro na garupa para o deixar em sorte pisando terrenos de compromisso. João saiu lesionado após esta lide, sendo no final da corrida, já no Hospital, diagnosticado uma fractura no tornozelo direito. Havia duvida no ar se Salgueiro da Costa iria ou não lidar o seu segundo, mas João mostrou raça e um grande respeito à nossa aficion lidando o toiro magoado e não utilizando o estribo do lado do pé magoado. Mesmo assim deixou dois ferros à tira de boa nota com o “Chinoca” para depois com a “Princesa” tentar mostrar a “paradinha”, marca da casa, entrando depois pelo toiro dentro. Teve uma lide em crescendo terminando-a com um ferro de excelente nota.

“Toureiros” a corpo limpo

Os forcados tiveram sortes distintas, pelos da Tertúlia Tomás Ortins, visivelmente magoado, pegou ao segundo intento e Francisco Matos à primeira tentativa, pelos da Praia Luís Valadão abraçou o oponente ao terceiro intento e André Lourenço arrancou, ao que lhe coube em sorte, uma pega à primeira, pelos Californianos, Michael Lopes pegou à segunda e Manuel Cabral agarrou o sexto da tarde, e o mais pesado da Feira, à quinta tentativa.

Notas finais

Sempre fui pelas corridas mistas e à portuguesa e o tempo tem me dado razão, este ano, como já em muitos atrás a maioria do público tem deixado marcada a sua opinião com a sua presença em praça, nunca é demais salientar que água mole em pedra dura…

 Foto e texto  Duarte Bettencourt


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