Personagens da FESTA Évora

Momentos de bom toureio na Novilhada Popular

Até que enfim

Até que enfim

Ontem podemos assistir, por fim, ao toureio a pé. Para que isso pudesse acontecer, teve que haver a combinação perfeita entre toiro e toureiro, que resultou da sorte de se ter inutilizado um astado, para que o sobrero voltasse a presentear os presentes com um perfume de outrora. Falo de Manuel Escribano e “Maninho” de Rego Botelho, onde por momentos regressamos uma década atrás, quando Julian Lopez “El Juli” lidou “Guarda” um bravo na história da ganadaria Rego Botelho. Ontem anunciava-se um Espectáculo Misto com o cavaleiro João Moura Jr. e os matadores de toiros Manuel Escribano e Pepe Moral na lide de três distintas divisas, Rego Botelho, José Luís Cochicho e João Gaspar. Pegaram em solitário os Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, capitaneados por João Pedro Ávila.

“Mourina”

O filho mais velho da grande figura da tauromaquia, João Moura, andou vulgar nos compridos cravados ao primeiro exemplar da corrida, pertencente à ganadaria de João Gaspar. Montou de seguida o “Rolex” para elevar o tom, com bons momentos de brega e colocação, deixando dois ferros curtos de grande valor, o “Milhafre” durou pouco e cedo pediu refúgio em tábuas, o cavaleiro sacou dos seus recursos técnicos e cravou com sabedoria e classe três curtos em sortes sesgadas. Moura recebeu o seu segundo, montando o “Guapo”, um bonito exemplar de João Gaspar, berrendo e de astes imponentes, para deixar dois compridos à tira, sem se parar, de boa nota, rematando o segundo de forma exemplar. Sacou o “Jamaica” para tentar cravar ferros de praça a praça, só que para isso também tem que contar com o oponente, que embora arrancasse com um bonito galope, era preciso pisar-lhe mais os seus terrenos. Um inicio de lide um pouco atribulado com ferros a cravar em cima dos que já lá estavam, algumas passagens em falso e ferros com ligeiros toques na montada. No fim tentou realizar a “Mourina”, sorte criada por seu pai, mas que não resultou em pleno, para no final da lide cravar dois soberbos curtos entrando pelo toiro dentro.

Escribano e “Maninho”

Manuel Escribano foi recentemente colhido com gravidade na Monumental de Madrid e na lide do seu primeiro toiro transpareceu isso mesmo, andou receoso. Recebeu o “cochicho” por verónicas rematadas por meia, saindo ao quite Pepe Moral que desenhou arrimadas chicuelinas rematadas por revolera. Nas bandarilhas Escribano andou vulgar com dois pares a quarteio e um a violino depois do primeiro não ter sido bem conseguido. A sua lide ao primeiro não tem muita história para contar com o toureiro a não se confiar num toiro que não tinha uma investida clara. Foi silenciado. Mas o seu segundo, que foi substituído pelo sobrero, Manuel esteve soberbo, recebeu o “Maninho” por verónicas, chiquelinas e meia de remate, saiu ao quite Pepe Moral com delantales rematados por meia das antigas, nas bandarilhas andou melhor mas com o mesmo reportório realizado ao seu primeiro, brindou ao público uma grande lide, realizada a um grande toiro de Rego Botelho, sem dúvida o melhor toiro da feira, no toureio apeado. Lidou o astado por ambos os pitons, com destaque para a quarta e sexta tanda por naturais com o toiro a investir humilhando, com codicia, com recorrido e fixo, que mais pode almejar um ganadero, é verdade que saem poucos, mas quando saem põem a Praça de Pé e em concordância. Rematou a faena com manoletinas arrimadas mirando o tendido. Duas voltas merecidas com merecida chamada à praça da representante da Rego Botelho, Mariana Baldaya. O “Maninho” foi ovacionado aquando da sua recolha aos curros, é assim que se devem homenagear os grandes toiros.

Pepe Moral teve um resultado inverso a Escribano, saiu primeiro o melhor toiro do seu lote, foi ele um bravo toiro de José Luís Cochicho de seu nome “Louco”, com bonito trapio, Moral recebeu-o por verónicas bem desenhadas, para depois do quite de Escribano por parons, repicar com um quite por chicuelinas rematadas por meia das antigas. No segundo tércio lidou Domingos Siro, com dois pares de Vicente Varela, o primeiro perdendo a cara ao toiro e o segundo com o toiro a vir cá em cima buscar o par e melhor abordagem de Jorge Silva que infelizmente deixou meio par. Pepe teve pela frente um bom exemplar a que lhe soube tirar o máximo partido. Destaque para as séries por naturais com a muleta roçando a arena, deu passes com profundidade e mando rematados com soberbos passes de peito, foi uma faena vareada com bons momentos de toureio por ambos os pitons, finaliza com um série por naturais de grande nota, sempre com o oponente a investir bem, finaliza por molinetes simulando a sorte suprema. Volta merecida de Pepe Moral. O seu último de Rego Botelho não teve história para contar, um toiro sem condições de lide. Como disse em anterior artigo a Rego Botelho saiu o brinde e a fava do bolo-rei, e repito a velha máxima se criar toiros bravos fosse fácil até eu o faria.

Sorte

Sem sorte andam os forcados da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, ontem foram solistas César Santos, à segunda tentativa e Luís Cunha à terceira.

Notas finais

Os intervalos demorados tiram o ritmo às corridas, há que ter isto em atenção.

A direcção da corrida foi vaiada pela decisão de manter a lide do quinto toiro da corrida, em que o toiro a seguir ao segundo lance de capote mostrou estar incapacitado para a contenda, mancando da mão esquerda. Meia praça deu por isso, mas foi dado seguimento ao segundo tércio e só depois de cravado o primeiro par é que foi dado sinal de recolha do astado.

E como gosto de finalizar com coisas boas fica na retina o quite a Manuel Escribano feito pelo bandarilheiro Abraham Neiro, quando este cai na cara do quinto toiro da tarde após o primeiro par de bandarilhas.

Fotos e texto  Duarte Bettencourt


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