Escola Taurina de Montijo

Novilhada Popular e Romagem ao Cemitério de Vila Franca de Xira

Um Concurso com três jurados

Um Concurso com três jurados

Já há algum tempo a esta parte que não me aventurava num artigo de opinião, razões tive-as o quanto baste que justificavam este meu afastamento, mas por outras tantas razões cá estou novamente partilhando convosco o meu ponto de vista da primeira corrida da Feira de São João deste ano, que foi nada mais, nada menos o Concurso de Ganadarias. A praça de toiros Ilha Terceira apresentou um bonita moldura humana, quase que preenchendo na sua totalidade os lugares disponíveis. O cartel, este já sobejamente conhecido da afición era composto pelos cavaleiros Filipe Gonçalves, Tiago Pamplona e João Moura Jr. estando as pegas a cargo dos grupos de forcados amadores de Évora e da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, capitaneados respetivamente por João Oliveira e João Pedro Ávila, a concurso estavam seis ganadarias Oliveira Irmãos, Rego Botelho, Casa Agrícola José Albino Fernandes, São Torcato, Passanha Sobral e João Gaspar.

Havia quatro prémios anunciados, Melhor Lide, Melhor Grupo em Praça, Melhor Apresentação e Melhor Toiro, que ficaram assim ordenados, João Moura Jr. melhor lide ao sexto da tarde, grupo de Évora o melhor em praça, “Manijero” de Passanha Sobral com a melhor apresentação e “Giraldo” de São Torcato o melhor toiro. O júri do concurso era composto por André Cunha, António Moura e Paco Aguado.

Este é o verdadeiro conceito de concurso de ganadarias com seis toiros de divisas diferentes onde se pode apreciar os diferentes encastes e proveniências das diversas ganadarias, três cavaleiros em que cada qual tem a oportunidade de se mostrar duas vezes, o conceito de melhor e não de mais bravo assenta que nem uma luva à verdadeira apreciação que é feita pelos jurados, foge no entanto ao verdadeiro conceito de concurso a atribuição do prémio de melhor grupo e não da melhor pega, tornando a apreciação demasiado vaga e subjetiva, sendo certo, e aplaudo a convicção da organização de que uma pega jamais será feita apenas por um individuo, ela é o resultado de uma equipa, mas que não funcionará como tal, se o forcado da cara também não funcionar.

Deixo uma ideia a ser trabalhada, porque não, e em tempos de grandes tecnologias utilizando uma rede Wi-fi e uma aplicação para smartphones, para que seja o público a decidir e não apenas três jurados com os seus conceitos próprios, ou então que se realize um regulamento de quais os pontos a observar e a quantificar, para que todos saibamos os critérios que levaram à atribuição dos prémios a concurso.

Dois ferros de antologia

O cavaleiro Filipe Gonçalves apresentou à nossa afición dois conceitos destintos na lide dos dois exemplares que lhe couberam em sorte. No primeiro do seu lote andou mais clássico, entendeu o seu oponente na perfeição, lidando com intenção e com bons momentos de brega, destacando-se o segundo ferro comprido, montando o Jncquoi. No segundo tércio, montando o Herodes, destaque para os terceiro e quarto ferros com o toiro a favor da crença natural, rematando uma lide séria com um bom curto. No seu segundo já mostrou mais o seu estilo, onde privilegia o contacto com o público, sacando o Jncquoi para um primeiro tércio sem história, para depois e com Chanel e o Xique armar o taco e bridar a afición presente com uma lide variada baseada nos quiebros, bem conseguidos, rematando a lide com um violino e um de palmo com o seu cavalo, que bate palmas.

Tiago Pamplona impressiona pelo seu conceito do toureio, pelo seu conhecimento do toiro e pela forma como monta os seus cavalos, deixou há muito de ser uma promessa para ser já uma certeza no panorama equestre nacional. Lidou com sabor, arte e conhecimento o seu primeiro onde sacou nos compridos o Cagancho e nos curtos o Bastinhas, dois ferros compridos de boa nota, destacando-se o segundo de praça a praça, nos curtos destaque para o terceiro e quarto ferros, preparando bem a sorte, com cites vistosos, quer em passage, quer num terra a terra vibrante entrando em terrenos de compromisso para cravar de alto a baixo e ao estribo, remata a sua lide com um violino soberbo. No seu segundo e com o oponente de menor nota deste concurso, no que toca à sua condição de lide, andou esforçado e a entender bem o toiro. Com o Gaúcho nos compridos não deixou história para contar, para no segundo tércio sacar o Invictus e cravar quatro ferro de grande nota entrando pelo toiro dentro, finalizando com dois violinos com o Bastinhas, sendo o último em terrenos de grande compromisso. 

Moura Jr. recebeu o seu primeiro no Guapo para cravar os dois compridos da ordem, já montado no Jamaica teve uma lide em crescendo, como em crescendo foi o comportamento do toiro, destacando-se o quarto e o quinto ferro, onde o cavaleiro alentejano deu todas as vantagens ao seu oponente, cravando de alto abaixo e ao estribo dois ferros de eleição. No último do festejo João e outra vez com o Guapo deixou dois bons ferros compridos, onde se pode apreciar à forma com bregou e colocou o toiro em sorte. No segundo tércio e montando o Rolex deixa três ferros soberbos com remates da sorte e preparação das mesmas com ladeios a duas pistas ajustadíssimos, já com o Jamaica deixa dois ferros de antologia, de praça a praça, dando primazia de investida ao toiro, levantando as bancadas em apoteose.

O exemplo de João Pedro Ávila

O Grupo de Forcados Amadores de Évora mostrou-nos um grupo coeso nas ajudas, deu vantagens ao que lhes couberam em sorte realizando as três pegas ao primeiro intento. Foram solistas, Gonçalo Pires, Miguel Direito e João Pedro Oliveira.

Os Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense tiveram uma tarde difícil com Francisco Matos e Luís Sousa, ambos à terceira tentativa com ajudas carregadas e Tomás Ortins a realizar um tentativa de grande mérito, saindo magoado do intento, sendo dobrado pelo seu cabo, João Pedro Ávila, dando o exemplo que enaltece os grandes, e com ganas e com a técnica que o caracteriza concretizou um excelente pega.

Um curro de lhe tirar o chapéu

Um curro que no seu geral se apresentou com um excelente trapio, com um sinal menos para o de Oliveira Irmãos que se apresentou algo escorrido de carnes, devido com certeza à viagem marítima. Destaque para o comportamento dos toiros de São Torcato e João Gaspar.

Destaques finais de um texto já longo.

O brinde dos amadores de Évora aos nossos Pastores, num gesto bonito e uma forma elegante de brindar a nossa Cultura.

Os painéis de informação com o nome dos cavalos de Filipe Gonçalves, um pormenor de grande importância para todos os que querem estar bem informados.

A ferragem da ordem de excelente confeção e com o pormenor de terem sido usadas as cores das divisas dos toiros lidados na sua realização.

O brinde na volta à arena de Tiago Pamplona ao maestro da Banda Filármonica Recreio Serretense por esta estar a tocar “Olé Pamplona”.

O gesto do Filipe Gonçalves na sua volta arena indo felicitar e dar ânimo ao forcado da Tertúlia.

São com estes bonitos exemplos que vos deixo até ao próximo artigo.

Eu gostei, espero que compartilhem do mesmo sentimento.

 Texto e Fotos:  Duarte Bettencourt


Escola Taurina de Montijo

Novilhada Popular e Romagem ao Cemitério de Vila Franca de Xira