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Festival dos bandarilheiros Santarém 29-11-2014

Homenagem a Dário Venãncio

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Clube Taurino Homenageia Dário Venâncio no 40º Aniversário da sua Alternativa

Dário Venâncio Antunes, bandarilheiro vilafranquense, foi homenageado pelo Clube Taurino Vilafranquense, coletividade de que é sócio fundador, 40 anos depois do dia 8 de Outubro de 1974 quando o seu irmão, o “maestro” José Júlio, num gesto único na tauromaquia, lhe concedeu a alternativa de Bandarilheiro Profissional, tendo Mário Freire como testemunha.

Manteve-se 35 anos no ativo até à retirada em fevereiro de 2009, acumulando prémios e distinções pelos êxitos alcançados em Portugal, em Espanha e nas quatro partidas do mundo que percorreu toureando. Fez-se respeitar pelos matadores portugueses e espanhóis (todas as grandes figuras do seu tempo) e pelos cavaleiros com quem saiu, incluindo Mestre Batista. E também pelos companheiros de prata, pelos ganaderos, pela crítica e, principalmente, pelo público.

Conheceu também a face negra da festa, nomeadamente sofrendo duas cornadas gravíssimas, sem nunca perder o ânimo e a classe que o distinguiam, e assistindo à colhida que seria mortal de Varela Crujo, às ordens de quem atuou no Campo Pequeno na fatídica noite de 11 de agosto (negro 11 de agosto) de 1983.

Fora da praça, como dentro dela, foi e é um homem vertical, modesto como só os grandes sabem ser, simpático, de trato fácil e capaz de construir amizades sólidas. Dentro da arena foi um profissional competente, cheio de talento, poderoso, apaixonado pelo toureio, de enorme pundonor e vergonha toureira, solidário e valente.

A homenagem, cujos participantes esgotaram a capacidade da sede do Clube Taurino Vilafranquense, iniciou-se com um minuto de silêncio em memória de Augusto Gomes e de José Maria Manzanares (pai). Seguiu-se a atribuição de um troféu outorgado pela Junta de Freguesia, que assim quis distinguir o grande toureiro nascido na Cidade de Vila Franca de Xira, como sublinhou o Presidente da autarquia Mário Calado. Em nome da Câmara Municipal falou o vereador António Félix, sublinhando o interesse que a edilidade reconhece nas iniciativas que, como esta, enaltecem os valores da terra.

Dário Venâncio, revelou na sua intervenção António João Amaral, Presidente da Direção do Clube Taurino Vilafranquense, convidou para a cerimónia os protagonistas da corrida da sua alternativa. A eles coube a palavra de seguida.

O maestro José Júlio, figura ímpar de Vila Franca, deliciou os presentes com a boa disposição com que recordou episódios do passado e a sapiência que colocou na análise do que foi o seu irmão como toureiro. Relembrou a dinastia de que faz parte, iniciada com o seu pai e continuada por ele próprio, por Dário Venâncio e por David Antunes, também presente. Toureiros “com escola”, sublinhou.

O maestro Mário Coelho salientou a satisfação sentida pelo convite do Clube Taurino para participar na homenagem a um Toureiro que, confessadamente, admira, como bandarilheiro e como pessoa. Alguém que, como enfatizou, soube “ser gente” no mundo do toiro.

Alberto Conde, em representação de Alfredo Conde, António Garçoa, em representação de José Mestre Batista, e Rui Patrício, em nome da Ganadaria de António Francisco Teixeira, todos se pronunciaram de forma emotiva da admiração que sentiam pelo homenageado.

David Antunes, sobrinho do homenageado, sublinhou a responsabilidade que sentia por pertencer a tão distinta dinastia, que sempre procurou honrar.

Por fim, Dário Venâncio lembrou a sua trajetória como toureiro, os bandarilheiros mais antigos com quem aprendeu e os contemporâneos com quem toureou. Visivelmente emocionado, agradeceu a iniciativa e as palavras de todos os que se lhe quiseram juntar nessa noite.

Francisco “Palhota”, que constitui quadrilha com Carlos Falcão e Dário Venâncio ao serviço de José Júlio, entregou ao companheiro um bonito quadro emoldurando a poesia “El Peón de Brega”. Os diversos membros dos órgãos sociais do Clube Taurino Vilafranquense distribuíram troféus pelos diversos participantes, após o que a palavra foi dada aos assistentes.

Das intervenções destacaram-se a do Sr. José Pereira, que lembrou José Falcão, ali presente com certeza, e que pediu à Câmara Municipal para tratar bem as figuras da terra.

Com muito sentimento e eloquência encerrou o período de intervenções o Sr. João Conceição, com um importante aviso: Vila Franca pode estar a “perder o orgulho, em troca de uma vaidade perdida”. Vaidade dos que têm muito e conseguem pouco, em contraste com os que, noutros tempos, reunindo-se na quinta de José Júlio, se preparavam para ser grandes mesmo partindo do quase nada.

A festa prolongou-se por muito tempo, entre abraços e conversas animadas de aficionados e toureiros que fizeram daquela noite um evento que Dário Venâncio não esquecerá tão cedo.

Mais uma vez todos felicitaram a iniciativa do Clube Taurino Vilafranquense, sublinhando na oportunidade dois aspetos: a qualidade do “cartel” reunido naquela noite e o mérito inequívoco e total merecimento do homenageado, Dário Venâncio.

Luís Capucha

 

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